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O texto abaixo é fictício, uma parte de uma das histórias que eu comecei a escrever.

A insônia bateu como um cão abandonado vagando pela noite. Sinto meu corpo ardendo em chamas, como se algo mais forte que eu me colocasse para fora do colchão. São tantos pensamentos me atormentando.
Meu mp3 player não toca nenhuma música até o fim. Impaciência. Impaciência quando nada me espera. Sou apenas eu, por mim e para mim. Eu também não espero ninguém, ao contrário de qualquer romance, essa história é solitária. Não busco nada em ninguém. Ninguém é suficientemente bom pra mim. E eu não me sinto boa em nada.
É como se eu não esperasse nada da vida, nem ela de mim. Estou inerte à qualquer acontecimento. Minha rotina não me alegra, mas, até então, não era capaz de causar nenhum desgosto.
Me sinto uma ameba.
Eu sou uma ameba. Nada.
Não faço diferença nem tento fazer. Tudo que eu tenho são sentimentos ocultos, que nem eu mesma sou capaz de me motivar e colocá-los em prática.
Tenho sonhos e desejos ainda. Secretos, mas não são impossíveis. Vivo num mundo que eu fantasio. Algumas pessoas ainda acreditam em mim. Ainda.
Hoje eu sinto que cada dia que passa eu perco o interesse pelas pessoas e elas por mim. Aos poucos venho tentando parar de me enganar e sendo verdadeiramente autêntica. Sim, porque na visão dos outros eu tenho uma grande personalidade o que não passa de fachada. São coisas que eu criei. Apenas.
Há momento de grande revolta que tenho pensamentos incríveis, mas a covardia me impede de colocá-los em prática.
Covarde.
Será uma doença? Modernidade? Ou apenas medo e covardia?
Conformismo. Me conformei que me sinto muito bem solteira, mas nem sei se é o que eu sinto de verdade, ou se é medo de ser rejeitada.
Eu sempre fui bem resolvida no quesito relacionamentos. Podia não ter grandes paixões, mas nunca estava sozinha. Até que me vejo, hoje, com total falta de interesse em me relacionar com o sexo oposto. Nem me imagino com alguém. Talvez eu apenas tenha que resolver outras questões primeiro. Sobre mim pra depois me relacionar com outro ser.
Bipolaridade? Já pensei na possibilidade, mas nos últimos meses eu não tenho picos de alegria e tristeza. Eu simplesmente não estou. Depressão? O pior é que eu ainda consigo ser auto-confiante de mais para ter depressão. E, como já disse, sou covarde de mais também.
Diversas vezes tive vontade de me cortar, para a dor física se sobressair à dor que eu não sei de onde vêm. Já tive a navalha em mãos, mas a coragem nunca veio.
Covarde.

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